SEM ADEUS
12 DE MARÇO
CAPÍTULO 3: ENTRE O ONTEM E O ABISMO
Existem momentos em que a esperança parece esvair-se por completo; instantes em que o coração pulsa em um ritmo cujo motivo nos escapa à compreensão. Cruzamos caminhos com pessoas ao longo da jornada e, ingenuamente, supomos que a caminhada será eterna. Até que, subitamente, surge uma bifurcação e, quando despertamos para a realidade, aquele que nos acompanhava já não está mais ao nosso lado.
Quando cessaremos de romantizar a existência? Por que persistimos em erros tão reiterados?
Nós, a despeito de tanto sofrimento, buscamos incessantemente um porto seguro, algo que nos traga plenitude. Não fomos concebidos para o isolamento absoluto; talvez resida aí a razão de nossa busca.
Embora esta avalanche de preocupações, eventos e melancolia me consuma agora, nem sempre foi assim. A alegria também habitou meus dias, e não por um breve período — pelo contrário, foi minha constante até poucos dias atrás. Entretanto, a vida não se resume a flores; ela é composta por altos e baixos, pela alternância entre a bonança e a tempestade.
Mas, afinal, o que nos define? Momentos áureos nem sempre trazem consigo o aprendizado ou uma "lição de moral". Seria necessário, então, estar disposto ao martírio para que possamos evoluir? Será esta a única via? E quanto às horas de deleite que precedem dias de amargura? Não falaremos delas? Talvez o façamos adiante, para que eu não perca o foco. Afinal, elas pertencem a uma temporalidade distinta — como a embriaguez, que se inicia entre sorrisos e celebrações, mas culmina em cefaleia, torpor e um aperto opressor no peito. Em suma, fazem parte de um tempo alheio a este que, agora, hostilizo.
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